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{mosimage}As relações de casal sempre foram interpretadas pela comunidade cristã a partir de algumas perspectivas não muito claras: o ideal de um casamento harmonioso que, sem muita justificativa, entrou em colapso e deixou as famílias envolvidas tomadas pelo elemento surpresa; um discurso místico que atribui a influência do diabo sobre as pessoas e situações – nesse sentido, muitas crises familiares são definidas como resultado da intervenção direta do diabo, o que elimina a necessidade de reflexão dos casais para desvendar seus problemas e as questões mais sérias; desconhecimento das causas e negação das realidades: “alguma coisa deu errado, mas não sabemos o que é”.
SALMO - 127
1 - SE O SENHOR não construir a casa, os pedreiros trabalham em vão. Se o Senhor não proteger a cidade, o trabalho dos guardas é completamente inútil.
2 - É uma grande tolice trabalhar de sol a sol, acordar de madrugada e dormir a altas horas da noite, comer o pão amassado com o suor do rosto, pois Deus quer que aqueles que O amam tenham um bom descanso.
3 - Os filhos são um presente do Senhor; uma grande recompensa dada por Ele.
4 - Os filhos que o homem tem durante a sua mocidade são como flechas de um soldado valente, afiadas e prontas para a defesa.
5 - Feliz o homem que tem muitos filhos - uma caixa cheia de flechas. Ele terá ajuda quando tiver algum problema com seus inimigos e precisar ir ao tribunal.
Paráfrase: Bíblia Viva
OS “NÓS” NO RELACIONAMENTO CONJUGAL
Quando procuramos discutir as dificuldades dos relacionamentos devemos montar uma rede de ligações que vão apontar as causas e as formas de funcionamento dos casais. Normalmente, este é o caminho do terapeuta, que assusta muita gente. É bem mais fácil criar uma atalho, ignorar a corrosão, algo semelhante a uma invasão de cupins, apesar de pequeninos, destroem casas, móveis, prédios, estruturas enormes.
Há perigos em que as crises ficam tão intensas, não que surjam repentinamente, mas que as relações ficam paralisadas e os envolvidos têm a sensação de estar diante de um paredão, um beco sem saída, sentem-se impotentes e fazem perguntas até então camufladas. Para facilitar a discussão, chamaremos estas situações da mesma maneira que usamos na fala comum, vulgar, quando estamos confusos e dizemos: “a vida deu um nó”. Em todas as áreas os “nós” aparecem; a habilidade para desfazê-los é que não pertence a todos.
Vamos considerar que as situações são sintomáticas, efeitos, que estavam latentes e vieram à tona com uma carga velada de alimentação. Para não deixar a lista muito longa, pensemos em três fontes geradoras de conflitos nas relações dos casais. A sugestão é: cada casal, numa determinada situação de crise, deve fazer a seguinte pergunta: qual é a fonte geradora desse conflito, desse nó?
A primeira fonte geradora de conflitos nas relações dos casais pode ser o:
SEXO
A sexualidade tem duas funções características: dar prazer e procriar, perpetuar a espécie. Depois de um longo processo de desinformação, em que a sociedade desconhecia o elemento prazer, e com raras exceções, somente as prostitutas desfrutavam de orgasmo e ofereciam aos homens o que eles não tinham dentro de suas casas, o mundo moderno conseguiu desvendar a sexualidade. Mesmo assim temos muito chão pela frente.
Fala-se muito sobre as práticas sexuais e a maneira de melhorar a qualidade delas: “faça isso”, “use aquilo”, “tal perfume vai ajudar”, “prepare-se durante o dia inteiro”, “seja compreensivo”, “conquiste o seu parceiro”, e as coisas continuam ruins.
O Problema é que a sexualidade não se sustenta somente sobre o ato sexual dos casais. Os atos sexuais dos casais. Os atos sexuais são qualitativos se existirem elementos fortalecimento na relação. Que elementos são estes.
O primeiro elemento de fortalecimento na relação sexual, é a:
1. INTIMIDADE:
Este é um processo doloroso. Normalmente os desvios da sexualidade de um casal acontecem pela ausência de intimidade. É aquele relacionamento desprovido de confiança, talvez por fraquezas de personalidades, ou por intervenção de terceiros, de aventuras e casos amorosos, que são resultados comprometedores.
A grande necessidade do casal é desenvolver condições que manifestem a confiança recíproca, que só é possível quando existem parâmetros de intimidade, de compartilhar a vida numa atmosfera de espontaneidade.
O segundo elemento de fortalecimento na relação sexual, é a:
2. COMPANHEIRISMO:
O entrosamento do casal é um processo que jamais termina. Quando a relação esta travada, e a pratica sexual sofre um decréscimo que precisa de justificativas, se não houver companheirismo a intensidade vai colocar as pessoas em xeque.
Numa situação desta, pode-se avaliar o nível de envolvimento e de maturidade de um determinado casal, ou seja, quando os dois são parceiros ou inimigos.
Às vezes, um homem enfrenta o problema da impotência. Sabemos que a impotência é um fator de cunho emocional, isto é, dificilmente alguém vai nascer impotente, mas tornar-se-á ao longo de processos existenciais. Por exemplo: uma dívida, uma falência, um fracasso, um roubo, luto, alguma coisa que tire o chão de debaixo dos pés repentinamente, pode gerar impotência no homem. Naturalmente, o casal se separa, as críticas aparecem e as causas não são tratadas.
O terceiro elemento de fortalecimento na relação sexual, é a:
3. MUTUALIDADE:
Quase sinônimo do item anterior, mas é diferente. Trata-se dos planos do casal, consideradas as individualidades e o que diz respeito à definição da família como tal. É a parceria no sentido pleno e prático; quando não existe o sentimento de resposta e ajuda mútuas, quando o casal não esta em sintonia nos programas e objetivos do cotidiano, o reflexo é visto na atividade sexual, vulgarmente chamado de falta de apetite sexual.
Sexo é uma condição da identidade humana; logo, uma pessoa jamais terá falta de apetite sexual a não ser por uma anormalidade. Assim, quando a falta de interesse surge é preciso identificar a sua origem. Quase sempre está na desarmonia.
A segunda fonte geradora de conflitos nas relações dos casais pode ser o:
DINHEIRO
A Bíblia diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; veja bem, não é o dinheiro em si, a moeda, o papel, o cheque; a questão está justamente sobre quem possui e como usa o dinheiro.
Um dos pilares da dominação masculina no ambiente doméstico foi o fato de a mulher não trabalhar fora e não possuir renda. Ela funcionava como uma espécie de empregada cujo salário simbolizado na casa que tinha para morar e na felicidade de ser mãe. O homem tinha o dinheiro, logo, ele tomava as decisões e ninguém podia falar nada.
Quando as mulheres começaram a ocupar espaços, crescer nas profissões, gerar rendas e mudar as bases do casamento, o discurso machista de decisão caiu por terra. Agora, algumas têm salários maiores que os de muitos homens. Nada mais difícil para um homem, especialmente um homem latino-americano, moldado sob as orientações de portugueses e matutos do patriarcado, do que uma mulher que ganhe mais do que ele.
Parece estranho, mas muitos casais buscaram a separação depois que as mulheres começaram a trabalhar e o contrato de casamento mudou. Este impacto sobre o homem provoca impotência, sarcasmo, desvalorização da companheira, demérito de suas funções domésticas; por outro lado, é comum a mulher perder a tênue linha do compromisso e descobrir uma liberdade que chega a se confundir com o egoísmo. Ela pode tentar fugir de uma divisão da renda, aquela idéia de que o “dinheiro do marido é da família; o meu, é meu mesmo” funciona em muitos casos.
O dinheiro, portanto, é o outro elemento de controle. Você já viu aquele marido que não deixa a mulher estudar? Pense um pouco e responda: será que algum marido tem poder para deixar ou não deixar a sua mulher fazer alguma coisa? Ou esse poder vem de uma fonte de controle chamada dinheiro? Ou, será que ele sabe, no momento em que ela conseguir ganhar o seu próprio dinheiro, que poderá ser até mais que o do marido, poderá renunciar a sua companhia, dar um “tchau” e sair da relação?
Encontramos as pessoas focalizadas em suas questões financeiras, sobrecarregadas de tensão, sem interesse pelo bem-estar do outro, sem vontade (ou desejo?) de fazer sexo, sem condições de lazer e diversão. Também encontramos os parceiros competindo entre si, quem vai ganhar mais, quem vai conquistar mais, mesmo que seja dizendo que estão em busca de estabilidade e qualidade de vida para a família.
A terceira fonte geradora de conflitos nas relações dos casais pode ser o:
PODER
“Quem toma as decisões aqui? Quem manda nesta casa?” Apesar de parecer que estamos tentando responder uma questão bíblica, na verdade, estamos levantando um dos mais difíceis nós da relação, a do poder.
Quando os casais definem os itens acima e batem na tecla da pré-determinação dos papéis entram num grotesco processo de competição, geralmente as relações são marcadas por uma grande quantidade de energia gasta para saber quem vai mandar em quem, o que faz com que a relação não se estabeleça pela cumplicidade ou cooperação, mas por um forte sentimento de defesa de possíveis condicionamentos.
Dentro dessa atmosfera, o casal enfrenta a paralização, o nó, o freio, a desaceleração. Certamente a relação se desgasta e os problemas são expostos a partir de comportamentos, sintomas aparecem e as pessoas começam a procurar recursos e meios de aliviar o sofrimento, que pode ser completamente alcançado se elas decidirem eliminar as causas e não somente atacar os sintomas.
Antigamente a televisão mostrava uma propaganda de creme dental em que um dentista era protegido por uma parede invisível; ele via as pessoas do outro lado, elas o viam também, mas não havia contato entre eles porque a parede protetora invisível estava ali. A propaganda queria mostrar o efeito entre a cárie e o dente: a proteção dada pelo produto, que colocava a parede invisível que evitava a cárie.
Muitos casais colocaram uma parede invisível, que serve de proteção entre as pessoas que estão debaixo do mesmo teto, dormindo na mesma cama, comendo a mesma comida, usando o mesmo carro, sempre juntas, mas sem qualquer toque, sem intimidade, separadas e protegidas por uma parede invisível, real, firme, que não deveria estar ali. Como retirá-la?
1. A AJUDA DE DENTRO:
Dis respeito àquela capacidade de membros da família que conseguem interpretar suas histórias montando as origens de determinados sistemas e problemas: o pai, a mãe, os avós; é bom lembrar que esta habilidade não é benção de todos e você deverá analisar se a pessoa que você quer ouvir possui tal condição de ajuda.
2. AJUDA DE FORA:
É a participação do conselheiro, do pastor, de pessoas experientes, do profissional – psicólogo, médico, terapeuta – elementos que estão em posição de liberdade para fazer interpretações e juizo, pois não estão afetadas emocionalmente nem possuem vínculos de parentesco.
3. AUTENTICIDADE:
Problemas de casal pertencem aos dois; se um dos cônjuges toma para si a responsabilidade de um problema, o outro fica leve, sente-se dispensado do processo, começa a achar que é o são e o outro é o doente; esta cena é bem comum: “se você quiser, vá resolver os seus problemas”. O casal autentico distribuí as responsabilidade em igualdade de condições; mesmo que a impotência esteja no homem é um problema do casal; se a conta no banco está no vermelho, não apenas o nome de um que está no jogo, mas o plano do casal; se alguém esta tentando mandar e controlar, a vida conjugal não é feita de um só.
A Igreja Batista Independente Filadélfia, desta cidade de Santa Helena, está se preparando para distribuir recursos de ajuda, programas sérios e qualitativos que não sejam estanques, mas permanentes, com o preparo de pessoas para a vida em família e definição de papel na família.
A Bíblia nos ensina o caminho da segurança: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Sl 127.1). Mesmo com os problemas intensificados, a nossa obrigação, prezado ouvinte, é de estar diante de Deus, pois sem Ele, não há vitória.
fonte: A família diante de Deus - Washington Rodrigues Souza - Juerp Complementos: Pr Joel Beuter. |