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Olá pessoal!
Saudo-lhes com a Graça e a Paz do Senhor Jesus Cristo!
Vem chegando aí mais uma palestra sobre relacionamento familiar.
E desta vez, o assunto está direcionado aos fatores comportamentais de cada membro da família. Este assunto é de interesse dos pastores, teólogos, psicólogos, terapeutas e interessados afins. De forma que cada um deles, olha de um ângulo diferente, que geram definições variadas, onde cada um tenta defender seu ponto de vista. E como resultado, temos no próprio título da palestra: HERANÇA FAMILIAR - VERDADES E MENTIRAS.
Mudar a realidade que está sendo construída por cada um de nós e que refletirá no futuro dos nossos familiares, é o alvo bíblico para cada um de nós.
Leiam, estudem e comentem.
Deus os abênçõe!
Joel Beuter
Texto bíblico:
1 - SE O SENHOR não construir a casa, os pedreiros trabalham em vão. Se o Senhor não proteger a cidade, o trabalho dos guardas é completamente inútil.
2 - É uma grande tolice trabalhar de sol a sol, acordar de madrugada e dormir a altas horas da noite, comer o pão amassado com o suor do rosto, pois Deus quer que aqueles que O amam tenham um bom descanso.
3 - Os filhos são um presente do Senhor; uma grande recompensa dada por Ele.
4 - Os filhos que o homem tem durante a sua mocidade são como flechas de um soldado valente, afiadas e prontas para a defesa.
5 - Feliz o homem que tem muitos filhos - uma caixa cheia de flechas. Ele terá ajuda quando tiver algum problema com seus inimigos e precisar ir ao tribunal.
[Paráfrase da Bíblia Viva]

HERANÇA FAMILIAR: VERDADES E MENTIRAS
Alguns conceitos ganham espaço no repertório religioso e se transformam em verdadeiro paradigmas, modelos, matrizes, para as pessoas independentemente de qualquer espécie de reflexão. Um exemplo disso é a velha questão, que virou livro em formatos e discursos diferentes, sobre benção e maldição.
O Antigo Testamento afirma que Deus, movido pela desobediência humana, especialmente de seu povo Israel, visitaria a maldade dos pais, nos filhos, até a terceira e quarta gerações (Ex 20.5). A partir dessa declaração, intérpretes, teólogos conservadores, pregadores, passaram a explicar as crises das pessoas e das famílias tomando como ponto de partida uma herança boa, no caso de benção, ou ruim, para justificar o que seria chamado de maldição.
Todos nós conhecemos igrejas que põem nas portas de seus prédios ou templos placas com anúncios de cultos místicos com poderes de amarar Satanás, quebrar a maldição e oferecer libertação.
Não é preciso dizer que a procura é muito grande, mas não temos informação de respostas coerentes ou buscas bem sucedidas porque o expressivo número de obreiros que estão atendendo aos necessitados não tem preparo para resolver, dissipar dúvidas e oferecer solução real para a maldição.
Neste estudo nos vamos enfocar o assunto relacionado à experiência de família, que é o ponto mais batido, sob duas perspectivas: a) não existe maldição, mas herança de família; b) a família normal pode prosperar ou não.
QUE É HERANÇA FAMILIAR?
Cada família procura preservar uma história à qual será fiel em todas as gerações. Existe uma transmissão obrigatória de informações que representa o código genético, o DNA, de cada família. Normalmente, os modelos serão repetidos quase que integralmente. Um vício, alcoolismo, por exemplo, pode ter acontecido ao bisavô, que foi repetido pelo avô, preservado pelo pai e, na atualidade, continuado pelo filho. Às vezes, para não trair a família, uma mulher de marido alcoólatra se separa, alegando que está em busca de alívio para o sofrimento pois “não quer ser igual à mãe”, que segurou o vício do marido por tantos anos, e procura outro com os mesmos problemas.
Quando isso acontece, surge o discurso da maldição. “Parece uma maldição, um destino, a sina dessa família”. Nada disso; é a herança familiar que está sendo preservada.
Vamos procurar, na Bíblia, um exemplo clássico de herança familiar com cara de “maldição”. Não há outro mais completo que o exemplo da família de Abraão, o pai da fé, o símbolo da religiosidade dos judeus e cristãos.
1. A família de Abraão tem a sua origem numa realidade idólatra, Ur dos Caldeus (Gn 11.26-32).
2. Abraão foi chamado por Deus - Gn 12.1,2: “Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” ARA)
3. Abraão fez um acordo com Sara, que era estéril: “ Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher de formosa aparência; os egípcios, quando te virem, vão dizer: É a mulher dele e me matarão, deixando-te com vida. Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida.” (Gênesis 12:11-13 RA)
4. Sarai foi usada, sem qualquer peso de consciência de Abraão, várias vezes - “ Viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na junto dele; e a mulher foi levada para a casa de Faraó.” (Gênesis 12:15 RA) “ Disse Abraão de Sara, sua mulher: Ela é minha irmã; assim, pois, Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscá-la.” (Gênesis 20:2 RA)
5. Finalmente, Abraão e Sara têm um filho, Isaque - (Gênesis 21:1-8 RA)
6. Quando Isaque está para se casar, quem decidia isso era o pai, Abraão manda buscar uma esposa no meio da sua terra, de seus parentes - (Gênesis 24:37-41 RA).
7. Isaque encontra-se com Rebeca; para onde ele vai com ela? Para a tenda de sua mãe, para ser consolado por ela por causa “da morte de sua mãe” - (Gênesis 24:67 RA).
8. Isaque não pode renunciar a tradição de sua família.
9. Sara era estéril; Rebeca era estéril - (Gênesis 25:21 RA).
10. Do casamento de Isaque e Rebeca, dois filhos nasceram, Esaú e Jacó; Isaque amava Esaú, que era caçador, mas Rebeca amava Jacó, que era um enganador; ou seja, ela está agora reproduzindo o modelo da família de Abraão junto com Isaque.
11. Isaque está negando que sua esposa, Rebeca, é sua esposa - (Gênesis 26:7 RA)
12. Rebeca e Jacó estão unidos para enganar Isaque – Gn 27.
13. No tempo do casamento de Jacó, este é enganado por Labão - (Gênesis 29:21-27 RA)
O tema da família de Abraão é um “enganar o outro”; isso passou de geração a geração, trazendo problemas que não são “maldições”, mas heranças de fidelidade às histórias da família original. Então, que é a maldição?
EXISTIRIA MALDIÇÃO HOJE?
Uma resposta adequada a esta pergunta deve contemplar uma possível crença: destino, predestinação e o poder de Satanás sobre o crente.
Pela teoria que temos defendido até agora seria um absurdo admitir qualquer uma das três; a nossa base está na Bíblia: Deus colocou o homem no mundo e lhe deu a liberdade como critério de vida – não lhe deu um destino; Deus elegeu um povo, Israel, para realizar seu plano no mundo – não fez uma predestinação de bons para a salvação e maus para a perdição; Deus salva o homem perdido no pecado, escravo do poder de Satanás, de uma vez Ele lhe dá uma nova vida – o livro de Jó nos mostra Satanás querendo tentar o servo de Deus e Deus lhe diz até o que poderia dizer, ou seja, Satanás não têm nenhum poder sobre a vida do crente.
Como vamos explicar os problemas que acontecem à vida das pessoas, inclusive àqueles que têm características estranhas? Vamos considerar algumas opções:
1) Num famoso livro, “Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas”, Harold Kushner, judeu, investiga uma série de possibilidades e discute vários pontos de vista sobre a problemática do mal e do sofrimento na vida de pessoas dignas. Ele mostra que alguns colocam Deus no processo da tragédia é, de fato, uma benção. Ele, claro, não defende esta linha de pensamento, apenas diz: “nem sempre há uma razão. Nós ainda nem sabemos tudo sobre nós mesmos...”
2) Pensamento negativo constante – algo como uma lei de Murphy: se você acredita que algo vai dar errado, dará. A conclusão para este tipo de pensamento é clara: talvez, o que esteja acontecendo à vida de muitas pessoas não seja “maldição”, mas resultado de uma atitude mental negativa condicionante, que oprime e obriga pessoas a agirem de acordo com o que pensam; se pensam negativamente, vivem uma vida negativa.
3) Quando Deus não ocupa a vida inteira de uma pessoa, Satanás pode ocupar o espaço que ainda resta. Provavelmente esta opção será mais justa. Falamos muito de integridade, mas não interpretamos o que vem a ser integridade. Em linhas rápidas, é algo que não está corrompido, sua essência é perfeita, não carece de reparos ou consertos, diferente daquele queijo suíço que é cheio de buracos por dentro, mas a casca externa é completa. Uma pessoa com um espaço que Deus não ocupa certamente será alvo de algum dardo inflamado do inimigo, conforme Efésios 6.16.
4) Influências de modelos religiosos anteriores – principalmente para aqueles que saíram de religiões pagãs, que acreditam em reencarnação, justiça do destino, ou alguma outra teoria metafísica; muitos se convertem ao cristianismo mas não conseguem abandonar totalmente o que aprenderam anteriormente. É comum encontrarmos crentes discursando sobre doutrinas estranhas ao Novo Testamento, influenciados por uma experiência de vida marcada por uma religião opressora. A tese da maldição fica ali, inconsciente, sempre lançando seus sinais e deixando muitos em dúvida.
POR UMA FAMÍLIA SAUDÁVEL
As alternativas para a edificação de uma família saudável são muitas; a maior dificuldade é abrir mão de conceitos enraizados na cultura doméstica, nacional, local e eclesiástica. Um mito cristão é a perfeição da família. Quantos casais, normais, não sabem que são normais tão somente porque ouvem, dominicalmente, uma qualificação de um sistema tão perfeito que, para alguns milhões de pessoas no mundo, não passa de um “sonho impossível”.
Findou o tempo em que acreditávamos na estruturação espiritualizada da família, atribuindo as responsabilidades dos erros e acertos a Deus ou ao Diabo. Na sociedade em que estamos inseridos não há mais lugar para tais atitudes; não queremos dizer, com isso, que a igreja e a família cristã vão renunciar a uma de suas principais doutrinas, a da vocação humana, mas que precisam fazer uma conexão com a mentalidade atual para viver de forma contextualizada e, ao mesmo tempo, mostrar o testemunho da fé.
Quando consideramos a família como um sistema íntimo de relações, que envolve pessoas unidas em laços de confiança, sinceridade e intimidade, podemos levantar a possibilidade de compreensão de conflitos e dilemas realistas.
Por que não procuramos conhecer mais sobre a história antiga da nossa família? Quem foram os nossos bisavós, como se conheceram, como se casaram, como educaram os filhos, que condições tinham? Qual será a relação que cada pessoa, de todos os tempos, tem com aquele sistema de família? Quem repete os modelos de quem? Qual é a voz que se ouve, a dos homens ou a das mulheres? Quem realizou mais e como chegou lá?
Os comportamentos que foram transmitidos foram reveladores e rígidos. Intimidade deixou de ser característica de casal e passou a ser condição de estrutura dos relacionamentos. Schneider (1996) afirma que: “Mais importante no sistema íntimo de relação é o objetivo de sustentar e enriquecer a vida de seus membros, que estão dispostos a desenvolver no grupo familiar uma mutualidade do querer, do sentir, do agir e do saber”.
Cada família tem um estilo próprio de convivência, de detectar, interpretar e resolver problemas. Tudo isso vai moldando uma cultura familiar que se estende pelas gerações até o dia em que morre o último representante daquela família; mesmo assim, sendo o último, ele mostra ao mundo um resumo de tudo o que foi a história, cujo início talvez nem ele saiba, mas é capaz de ser um guardião de tudo o que lhe foi transmitido.
ALGUMAS COISAS QUE NÃO PODEMOS ESQUECER
Primeiramente vamos ler o texto bíblico em Gálatas 3.10-14
10 - Sim, e aqueles que confiam que as leis judaicas podem salvá-los, estão debaixo da maldição de Deus, pois as Escrituras dizem muito claramente: “É maldito todo aquele que, em qualquer tempo, quebrar uma só destas leis que estão escritas no Livro da Lei de Deus”,
11 - Por conseguinte, é claro que ninguém jamais pode ganhar o favor divino pela tentativa de guardar as leis judaicas, porque Deus mesmo disse que o único meio pelo qual podemos ser justos aos seus olhos é pela fé. Como diz o profeta Habacuque: "O homem que encontra a vida, a encontrará por meio da confiança em Deus".
12 - Como esse caminho de fé é diferente do caminho da lei, que diz que um homem é salvo pela obediência a todas as leis de Deus, sem uma só falta!
13 - Entretanto, Cristo nos comprou e nos tirou de debaixo da condenação desse sistema impossível, ao levar sobre Si próprio a maldição por nossas más ações. Porque está dito na Escritura: "É maldito todo aquele que for pendurado numa árvore" (como Jesus foi pendurado numa cruz de madeira).
14 - Agora Deus pode abençoar os gentios também, com esta mesma bênção que ele prometeu a Abraão; e todos nós, como cristãos, podemos ter o Espírito Santo prometido por meio desta fé.
1) Cristo nos resgatou da maldição da lei prevista em Deuteronômio 27.26: 'Maldito aquele que não obedecer a estas leis - mostrando com isso desprezo por elas.' E todo o povo dirá: 'Amém.' [Paráfrase da Bíblia Viva].
2) Ele se fez maldição por nós, indo até a cruz, o madeiro maldito.
3) A bênção prometida a Abraão chegou aos gentios, isto é, a todos nós que não somos judeus e nem descendentes de israelitas – quem conseguiu isso foi Jesus.
4) Pela fé, recebemos a promessa do Espírito.
Esta lista poderia ser bem grande, todavia, não há nenhuma necessidade de insistir com questões primárias da nossa fé. Esta geração aguarda, ansiosamente, a manifestação dos filhos de Deus. Tem sido experiência comum o fato de não convencermos muito os que estão de fora por causa da qualidade de vida dos que estão do lado de dentro da igreja.
O que dizer daquele filho de pastor que “foi para o mundo” provocando um mal-estar profundo e doloroso na família e na igreja? Mais uma vez é o mito falando, pois a família do pastor e tão humana quanto à de qualquer outro.
Será benefício para o sistema familiar e para a sociedade a retirada do manto da hipocrisia para que surja um rosto natural do ser humano, livre de máscaras e de maquiagens, para que os sentimentos tenham lugar, sejam válidos e as pessoas possam definir com tranqüilidade seus caminhos, sem aquela obrigação de ser “leal” a qualquer custo à sua família.
Fontes:
Paráfrase da Bíblia Viva – (The Living Bible) 1ª edição em 1981.
Bíblia On-line 3.0.
Dicionário Eletrônico Houaiss.
Pesquisa, Comentários e Aplicações: Joel Beuter.
A Família diante de Deus – Washington Rodrigues Souza – Juerp.
Miss. Adriana Fonte (matéria publicada na internet).
Dr. Sergio Garbati – psicólogo (matéria publicada na internet).
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